Oi nenéns, eu serei a mamãe e esse será nosso diário
Flávia
2/19/20244 min read
Oi nenéns...
Aqui é a mamãe (ou futura mamãe), afinal, vocês ainda são um sonho, uma plano em construção, um pedido para Deus.
Nunca pensei em ser uma tentante, não no sentido da coisa, de fazer tabelinha, contar dias de ovulação, fazer testes e mais testes esperando um positivo. Nesse ponto, eu sou uma vergonha, nem tabelinha sabia fazer (papai Google que ajudou).
Na minha cabeça, quando eu achasse que estava na hora, tiraria o DIU, aboliria qualquer método contraceptivo e só... logo vocês estariam aqui.
Mas as coisas raramente são tão certinhas como planejamos. O que era pra talvez esperar mais um ano se transformou com umas dores inexplicáveis e insuportáveis que depois de meses ganharam um nome: endometriose profunda numa crise que parecia não ter fim.
E com essa palavrinha, aquele medo lá no fundo, de talvez não ser capaz de gerar vocês. O medo de talvez ter esperado demais e agora ter menos tempo de tentar gerar. Quando a mamãe está na casa dos 35, o que parecia muito tempo se torna pouco.
Mas ainda existem muitos anjos aqui no mundo, andando entre nos. E um deles foi um médico, que mesmo constatando a endometriose em vários pontos, uma trompa meio inflamada, intestino em endometriose profunda e muitos remédios para a dor, olhou nos meus olhos e nos do papai e disse pra gente: vão tentar ter bebês, se nada acontecer daqui 6 meses, vocês voltam e a gente vê.
Difícil nenéns. Difícil não ficar pensando será que vai dar? Será que vamos conseguir? Difícil não ter medo da dor. Difícil controlar a ansiedade.
Eu achava que entendia a ansiedade e a frustração das tentantes quando a menstruação vinha, quando um teste dava negativo. Mas só depois passei a entender. Só quando me transformei nesse alguém que quer muito gerar um neném.
É um medo silencioso, que só uma mulher que esta nessa fase da vida entender. Aquela pontinha lá no fundo da alma. Aquele "será?" que mesmo quando você é positiva as vezes se infiltra, grita mais alto que toda a sua certeza de que vai dar certo.
São vazios que não se compartilha. Difícil colocar em palavras. Difícil explicar. A gente só sente.
Eu me lembro da decisão de parar de evitar. Do primeiro dia que nos amamos pensando se estaríamos fazendo vocês. Me lembro da ansiedade. De conversar no chuveiro com vocês nenéns, sem nem saber se vocês estavam ali. Eu me lembro da tristeza difícil de colocar em palavras da primeira menstruação depois disso. Me lembro de falar pro papai "não foi dessa vez amor". Me lembro da ansiedade tirando meu sono.
Ansiedade. A maior inimiga. A criadora de todos os cenários ruins e apocalípticos de tudo que pode dar errado. Aquela que tira seu sono, te dá dor de estômago.
Não contamos para ninguém que estávamos tentando. Se a nossa ansiedade estava a mil, imagina a da família? dos amigos? Imagina responder "ainda não foi dessa vez" mais de uma vez.
Acho... alias, eu sei, que deixar pra lá foi a melhor coisa que eu decidi. Entregar tudo nas mãos dele foi o que me libertou. Não foi fácil, mas foi como um suspiro de paz.
Tive uma conversa séria com Ele, em uma dessas noites em claro pensando em vocês. Entreguei pra Deus. Chega de ficar pensando "será?", chega de imaginar cenários ruins, chega de ter medo do tempo.
Deus, vai ser no seu tempo. Se vier nesses 6 meses amém. Se não vier, a gente faz a cirurgia, a gente faz FIV, a gente continua resolvendo o problema que aparecer, um por vez. E o tempo... a gente confia que o tempo também vai dar.
Eu tirei o DIU em novembro. Essa conversa com Deus aconteceu esse mês, em fevereiro. Três meses nessa espera pra mim já foram horríveis. Por isso hoje eu tenho mais empatia, mais amor e compreensão para as mamãe que estão nesse caminho a meses, anos. E se você é uma dessas mulheres, calma, vai dar tudo certo!
Eu sei que dentro das nossas mentes, naquelas conversas nossas com a gente mesma, são tantas questões, tantos medos, tantas alegrias, tantas coisas. Por isso esse blog. Para por pra fora essas palavras silenciosas.
Eu já conversava com vocês nenéns, antes de tudo. Agora vou registrar aqui. Quem sabe um dia vocês leiam e talvez entendam como foram amados e desejados antes mesmo de serem uma meta, quando eram só um sonho.
Falando em sonho, é por causa de dois deles que vocês são "nenéns" e não só "neném". Sonhei comigo amamentando vocês dois, daqueles sonhos que a gente sente até o peso, o cheiro, o sabor. Sonhei de novo uns dias depois, com o papai segurando vocês dois. Sonhos antes mesmo de eu pensar em ter vocês. Meses antes de serem uma meta. Não sei porque tenho essa certeza, mas eu tenho. Então... seguimos com nenéns.
Sabe o que é engraçado nenéns... comecei a escrever sobre vocês e tudo que me vem na cabeça sobre vocês tem um tempo, mas guardava só pra mim. Só agora resolvi deixar registrado aqui. Para quem sempre escreveu diários e agendas, fazer um blog online parece bem mais prático. Quando a cabeça estiver cheia das nossas conversas, é só pegar o celular e registrar. Será que daqui uns meses eu vou voltar aqui, ler essas conversas antigas e rir? Tomara! E tomara que eu volte aqui para ler elas em voz alta para vocês.
É isso meus nenéns, por hoje a (futura) mamãe só queria dizer que está nas mãos de Deus. E eu creio que logo logo essas conversas minha com um sonho de vocês vão ser realizada.
Tchau nenéns.